quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Faustin Linyekula no Teatro Camões



O solo “Portrait Series: I Miguel”, nova criação do coreógrafo Faustin Linyekula, criador convidado da Bienal Artista na Cidade, estreia-se hoje, no Teatro Camões, em Lisboa, com um filme de Cláudia Varejão sobre a Companhia Nacional de Bailado.
As duas obras (a de dança e a de cinema) vão ser apresentadas até 24 de Janeiro, no âmbito do programa “Dança e Documentário” da Companhia Nacional de Bailado.
O solo criado pelo congolês Faustin Linyekula (o convidado de 2016 da Bienal Artista na Cidade) tem música de Pedro Carneiro, desenho de luz de Thomas Walgrave e é interpretado pelo bailarino da Companhia Nacional de Bailado Miguel Ramalho.
Portrait Series”, segundo a companhia, reflete sobre a responsabilidade artística: como ser artista é (ou deve ser), sobretudo, uma questão de cidadania.
No âmbito do programa, também será exibido o filme inédito da realizadora Cláudia Varejão “No escuro do cinema descalço os sapatos”, um documentário sobre a Companhia Nacional de Bailado. É o quotidiano silencioso dos bailarinos, coreógrafos, músicos, ensaiadores, costureiros, técnicos de luz, som e toda uma vasta equipa que trabalha até levar as coreografias até ao palco que fica assim documentado pela realizadora.
O título do filme provém de um poema de Adília Lopes.


Parecer sobre projecto para a Segunda Circular



O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves alerta que o projecto da Câmara para a Segunda Circular pode pôr em grave risco a aviação que opere no Aeroporto de Lisboa e a população da cidade.
As conclusões constam de um relatório técnico, a que a agência Lusa teve hoje acesso, no qual o Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves dá opinião técnica desfavorável ao projecto de requalificação daquela via, por considerar que a solução apresentada carece de suporte legal e pode pôr em grave risco a aviação que opere no Aeroporto de Lisboa e todos os habitantes da cidade.
O projecto em causa está incompleto por não contemplar qualquer alusão ao impacto ambiental que a arborização prevista (a plantação de 7 mil e 500 árvores na zona envolvente da Segunda Circular e mais de 500 exemplares ao longo do separador central) poderá provocar no controlo da avifauna, nas imediações do Aeroporto da Portela, afectando directamente as operações aéreas relativamente à segurança aeronáutica, sustenta o documento.
O Gabinete coloca reticências ao projecto por ser inadequado e insuficiente na identificação de todos os impactos negativos na biodiversidade daquela zona e na garantia da segurança dos aviões que operam no aeroporto, devido à possibilidade de as aves colidirem com as aeronaves.
O relatório técnico foi enviado esta semana pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves para o gabinete do secretário de Estado das Infraestruturas, Guilherme d’Oliveira Martins, para o presidente do conselho de administração da Autoridade Nacional de Aviação Civil, regulador do sector aeronáutico, e para o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, o socialista Fernando Medina.
O projecto foi colocado em consulta pública (que termina a 29 de Janeiro) sem ouvir as autoridades aeronáuticas sobre os impactos do previsível aumento de aves perto do aeroporto.
A proposta camarária tem como objectivo diminuir o tráfego de atravessamento na Segunda Circular através da reformulação de alguns acessos e dos nós de acesso ao IC19 (itinerário complementar) e à autoestrada A1, encaminhando o trânsito para a CRIL (Circular Regional Interior de Lisboa).
Prevê-se também a redução da largura das vias, a montagem de barreiras acústicas, a reabilitação da drenagem e do piso, a renovação da iluminação pública e da sinalética e a diminuição da velocidade, de 80 para 60 qulómetros/hora.

Fonte: Lusa

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

110º aniversário da Livraria Lello



O ministro da Cultura, João Soares, abriu às 10h00 de hoje as portas da centenária Livraria Lello e juntou-se a um encontro especial entre uma Florbela Espanca e um Camilo Castelo Branco para celebrar o os 110 anos daquele ícone arquitectónico do Porto.
A Lello, a mais antiga livraria da cidade do Porto, inaugurada em 1906 e classificada como monumento de interesse público em 2013, festeja um século e uma década de existência num dia aberto à cidade, onde as entradas voltam a ser gratuitas (por um dia, apenas) para os visitantes.
Considerada uma das mais belas livrarias do mundo, a Lello oferece também 110 exemplares da obra “A Lágrima” de Guerra Junqueiro e vários momentos artísticos.
A Livraria Lello, cujas entradas passaram a ser pagas desde Julho de 2015 através de um voucher dedutível em livros, tem hoje doçaria portuguesa variada no cardápio de presentes a oferecer aos visitantes da Lello em dia de aniversário, assim como um cálice de vinho de Porto.
A Banda Sinfónica Portuguesa actua nas famosas escadarias da livraria com música do seu quarteto de saxofones e a Irmandade dos Clérigos oferece à Lello um concerto da soprano Fabiana Magalhães e Rui Soares no órgão. O momento musical está previsto arrancar pelas 21h00 e, os interessados, podem ouvir composições de Mozart, Giulio Caccini ou Jean-Philippe Rameau.

Arquitecta Van Loon em Portugal



A arquitecta Ellen van Loon, do atelier holandês OMA, vai proferir, a 17 de Fevereiro, em Lisboa, uma conferência internacional no quadro da iniciativa “Distância Crítica”, organizada pela Trienal de Arquitectura.
A conferência de Ellen van Loon (que, desde 1998, juntamente com Rem Koolhaas, é um dos pilares do premiado atelier OMA, autor da Casa da Música, no Porto) está prevista para as 19h00, de 17 de Fevereiro, no Centro Cultural de Belém.

“Cartas de Guerra” em Berlim




A longa-metragem “Cartas da Guerra”, do realizador português Ivo M. Ferreira, feita a partir de cartas do escritor António Lobo Antunes, integra a competição oficial do festival de cinema de Berlim, revelou a produtora e a organização.
O festival, que decorre em Fevereiro, revelou os nove filmes que vão competir pelo Urso de Ouro e entre eles figura a longa-metragem de Ivo M. Ferreira, que é uma adaptação do livro “D'este viver aqui neste papel descripto”. O livro, organizado por Maria José e Joana Lobo Antunes, reúne cartas de António Lobo Antunes, escritas no período em que serviu o exército português na guerra colonial.
No filme de Ivo M. Ferreira, que tem estreia mundial em Berlim, Miguel Nunes e Margarida-Vila Nova são os actores principais.
Cartas da Guerra” só estreia nos cinemas portugueses no segundo semestre deste ano.
O Festival Internacional de Cinema de Berlim decorre de 11 a 21 de Fevereiro e a programação completa é anunciada a 2 do mesmo mês.

10ª BDTECA - Mostra de Banda Desenhada de Odemira até Março




Um concurso nacional, exposições, mostras documentais e a publicação de um catálogo com trabalhos distinguidos marcam a 10ª BDTECA - Mostra de Banda Desenhada de Odemira, a decorrer até final de Março. A BDTECA, promovida pela Câmara de Odemira, em parceria com a Sopa dos Artistas - Associação Local de Artistas Plásticos, decorre na Biblioteca Municipal daquela vila do distrito de Beja.
Segundo o município, a BDTECA pretende divulgar a banda desenhada entre os públicos juvenil e adulto, estimular a criatividade e afirmar Odemira como um dos principais centros de desenvolvimento daquele género artístico na região e no país.
O Concurso de Banda Desenhada, que marca o início das actividades da 10ª BDTECA, destina-se a todas as pessoas com 16 ou mais anos, que devem entregar os trabalhos concorrentes até ao dia 12 de Fevereiro.
Cada concorrente pode apresentar mais do que um trabalho, desde que os envie separadamente e com pseudónimos diferentes, sendo que cada trabalho deve ter um máximo de 4 pranchas de banda desenhada de tema livre, originais, inéditas, em língua portuguesa e formato A3.
As mostras documentais de banda desenhada, de vários temas e autores, vão estar patentes ao público na Biblioteca Municipal de Odemira entre os dias 2 e 27 de Fevereiro.
A mostra inclui a exposição de ilustração do livro “O Espirro do Dragão”, de Aida Teixeira e Carlos Rocha, que vai poder ser apreciada entre os dias 3 e 27 de Fevereiro.
No dia 18 de Fevereiro, são apresentados livros de Aida Teixeira e Carlos Rocha.
No dia 5 de Março, é publicado o terceiro catálogo “Odemira-te”, que inclui uma compilação dos trabalhos distinguidos entre 2011 e 2015 pelo Concurso de Banda Desenhada da BDTECA.
Também no dia 5 de Março, são entregues os prémios e é inaugurada a exposição dos trabalhos da edição deste ano do Concurso de Banda Desenhada da BDTECA, que fica patente ao público até ao dia 31 de Março.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Morreu Gabriel García Marquez


Gabriel García Marquez, de 87 anos, distinguido com o Prémio Nobel da Literatura em 1982, que morreu hoje na Cidade do México, não publicava desde 2010, quando foi dado à estampa "Yo no vengo a decir un discurso" ("Eu não venho dizer um discurso").

O autor de “Cem anos de solidão”, que os amigos tratavam por “Gabo”, tinha anunciado em 2009 que se retirava, e o livro publicado no ano seguinte, reuniu apenas material disperso das suas alocuções em público, as quais iniciava invariavelmente com a frase “Eu não venho dizer [fazer] um discurso”, informou na altura a editora Mondadori.

Em 2012, o seu irmão Jaime García Marquez dava conta de que lhe tinha sido diagnosticada uma demência, que perdera a memória e que o autor de "Cem anos de solidão" não voltaria a escrever.

Memória das minhas putas tristes”, editado em 2004, é assim o último livro de ficção de um autor de causas, que nunca escondeu simpatias, nomeadamente pelo regime cubano de Fidel Castro. O romance sucedeu a “Do Amor e outros demónios”, publicado dez anos antes.

"Gabo", no verão de 1975, visitou Lisboa, para ver de perto a revolução que se desenrolava, e sobre a qual escreveu três reportagens para a revista "Alternativa", por si fundada.

A um amigo, o jornalista Juan Gossaín, escreveu um postal com o Tejo em que dizia: “Lisboa é a maior aldeia do mundo. Quando chegar, conto-te desta revolução”, recordou ao Diário de Notícias, o destinatário.

A sua bibliografia é de pouco mais de 30 títulos, entre romances, novelas, crónicas, material jornalístico e uma autobiografia, "Vivir para contarla" ("Viver para contar"), de 2002, tendo sido também argumentista com o seu amigo, o escritor mexicano Carlos Fuentes.

O amor em tempos de cólera”, “Notícia de um sequestro”, “O outono do patriarca”, “Ninguém escreve ao coronel” são alguns dos seus títulos na área de ficção, tendo García Marquez sido distinguido com vários prémios, entre os quais o Romulo Gallegos, Neustadt de Literatura e o Nobel.

O discurso que leu em Estocolmo quando recebeu o Nobel de Literatura, em 1982, "A solidão da América Latina", tornou-se um texto de referência da sua obra literária.

O escritor era apontado como um dos expoentes da denominada corrente literária “Realismo Mágico", de que o seu livro “Cem anos de Solidão” é paradigma.

Em 2010, quando editou “Yo no vengo a decir un discurso", em comunicado afirmou: "Lendo estes discursos, redescubro como mudei e fui evoluindo como escritor".

Natural de Aracataca, na Colômbia, onde nasceu no dia 06 de março de 1927, ficou a viver nesta cidade com os avós, quando os pais se mudaram para Barranquilla.

O avô era o coronel Nicolás Ricardo Márquez Mejía, um veterano da Guerra dos Mil Dias, e a sua avó, Tranquilina Iguarán. Segundo especialistas da Literatura, estes exerceram forte influência nas histórias do autor, destacando-se as personagens de "Cem anos de Solidão".

Em 1947, García Márquez mudou-se para Bogotá para estudar Direito e Ciências Políticas, curso que abandonou, mudando-se para Cartagena de las Indias e empregando-se como jornalista no colombiano El Universal.

Fez parte ainda, entre outras, das redações do El Heraldo e do El Espectador.

"La Hojarasca" foi o seu primeiro romance, publicado em 1955, já depois de casado, e de ter vivido nos Estados Unidos, onde foi espiado pela CIA, dadas as suas simpatia pelo regime de Havana.

Em 1961 publicou o segundo romance, "Ninguém escreve ao coronel", editado originalmente em português pelas Publicações Europa-América, a primeira editora do escritor em Portugal, antes da Publicações D. Quixote.

A Asa ("Relato de um náufrago") e a antiga editora livreira do semanário O Jornal, com as primeiras traduções de "A aventura de Miguel Litín, clandestino no Chile" e "Crónica de uma morte anunciada", foram outras chancelas de García Márquez em Portugal.

Desde os inícios da década de 1960 que Gabriel García Márquez vivia no México, onde, em 1994, criou, com um irmão, a Fundação do Novo Jornalismo Iberoamericano.


Fonte: Lusa