segunda-feira, 7 de abril de 2014

Os Dias da Música de 2014


  

Os Dias da Música em Belém acontecem de 2 a 4 de Maio, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, sob o mote “Mudam-se os tempos”, estando previstos 63 concertos, com um orçamento de 500 mil euros.

O festival foi apresentado à imprensa como a proposta de ouvir todo o tipo de música inspirada na grande História, a música que moveu revoluções, a música de homens que mudaram o mundo e compositores que marcaram a história do mundo, segundo o administrador do CCB, Miguel Leal Coelho. O responsável afirmou que o mote não podia ser mais actual, num tempo em que se fala de novos paradigmas, alterações das condições, em renovar a esperança e em reestruturação da dívida.

Leal Coelho destacou, da programação, o evento “Projectar o futuro com arte”, uma pareceria do CCB com a Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional, que apresenta 8 concertos, por alunos de nível secundário, na sala Amália Rodrigues.

Constituem outro destaque os Mini-Dias da Música, também no âmbito pedagógico, que juntam 600 alunos, entre os 8 e os 14 anos, de diferentes escolas de música. Além dos concertos, realizam-se ateliês e conferências dadas pelos próprios alunos.
Este "festival dentro dos Dias da Música" abre no dia 2 de Maio, com a OJ.Com, a Orquestra de Jovens dos Conservatórios Oficiais de Música, sob a direcção do maestro Cesário Costa.

A programação dos Dias da Música, no espírito dos tempos de mudança, assinala os 40 anos da Revolução do 25 de Abril, mas também os aniversários do início de grandes conflitos (os 100 anos da Grande Guerra de 1914-18, os 75 do início da 2ª Guerra Mundial, os 200 anos do termo da Guerra Peninsular ou das chamadas Invasões Francesas de 1807 a 1814). Ainda sob o mesmo lema, evoca também efemérides relativas a compositores, nomeadamente, os 300 anos do nascimento de Carl Philipp Emanuel Bach, os 250 da morte de Jean-Philippe Rameau e os 150 anos do nascimento de Richard Strauss.

A estreia de três peças de compositores nacionais está prevista para o dia 3. “Verdiana”, de Alexandre Delgado, e “Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar”, de Nuno Côrte-Real, no contexto da obra de António Lobo Antunes, são interpretadas pela Orquestra Sinfónica Portuguesa, sob a batuta de Rui Pinheiro. “Hukvaldi Trio”, de Sérgio Azevedo, é estreada pelo Trio Pangea, composto pelo pianista Bruno Belthoise, o violinista Adolfo Rascón Carbajal e a violoncelista Teresa Valente Pereira.

André Cunha Leal, consultor do CCB para “Os Dias da Música”, realçou o concerto do dia 4 de Maio pela Orquestra Clássica do Sul, dirigida por Cesário Costa, que vai interpretar a Sinfonia nº64, “Tempora Mutantur”, de Joseph Haydn, que reflete sobre a mudança dos tempos, sendo seguida pela Sinfonia Clássica de Sergei Prokofiev, que é um compositor do século 20 a homenagear o compositor do passado, Haydn, ao apropriar-se das formas do passado, e a transformar o passado no presente.

Apropriação”, também citada por Cunha Leal relativamente às duas estreias das peças de Alexandre Delgado e Nuno Côrte-Real, que se apropriam de Verdi e Wagner respectivamente, dois homens revolucionários no seu tempo, para comporem música do nosso tempo.

Cunha Leal destacou a presença muito forte de novas obras de compositores actuais portugueses, que vai ser das primeiras vezes que acontece n'"Os Dias da Música".

O responsável salientou também a participação, entre os intérpretes, de novíssimos pianistas como Joana Gama e Jan Lisiecki, até a um dos veteranos, vivos do piano que é Paul Badura-Skoda, que apresenta, no dia 4, um programa constituído por peças de Joseph Haydn, Bela Bartók, Frédéric Chopin e Frank Martin, interpretando, deste último, “Fantaisie sur des rythmes flamenco”, obra dedicada ao pianista.

DVD de “WWZ - Guerra Mundial”


Foi na semana passada que os fãs de “The Walking Dead” viram o último episódio da 4ª temporada.

Bom... não é a mesma coisa (longe disso) mas fez-me lembrar o filme “WWZ - Guerra Mundial”. Um filme que alcançou um enorme sucesso tendo mesmo sido recordista de bilheteira.

Em "World War Z" (no original), um antigo funcionário das Nações Unidas, Gerry Lane, acaba por se ver a correr contra o tempo para salvar a sua família e o mundo de uma epidemia que destrói governos e ameaça a humanidade. De um momento para o outro, sem se perceber bem porquê, estala uma epidemia que mata as pessoas e as transforma em zombies, colocando em perigo toda a humanidade.

Este homem tem como missão resgatar uma vacina que está a ser estudada por uma equipa de cientistas que, por causa do caus criado pela epidemia, está barricado numa parte do seu laboratório.
É uma corrida contra o tempo, que nos leva a ficar agarrados ao écrã.

Para quem é fã de uma série com “The Walking Dead”, não pode ficar com muita expectativa quanto a este filme. As semelhanças entre um e outra ficam-se por “haver zombies”. O que move uma e outra obra são coisas completamente diferentes.

Em “The Walking Dead”, os zombies são apenas um pretexto para nos apercebermos como o homem funciona numa situação de epidemia extrema, que provoca um verdadeiro apocalipse, onde tudo deixa de fazer sentido. Apenas se tenta sobreviver. Uma história de terror com um toque de drama, que por vezes é quase uma tragédia com um toque de terror, se é que isso existe.

Neste “WWZ – Guerra Mundial”, os zombies são o mote. É preciso arranjar uma cura que, afinal, até já existe. É uma história de acção, com um toque de terror.
Este “WWZ: Guerra Mundial” é realizado por Marc Forster, e conta na pele do protagonista com Brad Pitt, que surge acompanhado de actores como Mireille Enos (que conhecemos da versão americana da série “The Killing”), Daniella Kertesz, James Badge Dale, Matthew Fox e David Morse, entre outros...

Mas como falamos de DVDs, é preciso falar de material adicional.
E quanto a extras... esqueçam! Não há nada. O que é pena.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Greve de 24 de Novembro de 2011: Do que não se falou.



Quando há uma greve em Portugal, ouvimos, lemos e vemos constantemente notícias sobre os impactos que as greves têm nos orçamentos das empresas. Os custos que acarretam para o país e o impacto que têm no PIB (produto interno bruto) português.
Mas as coisas não são bem assim.
É impressionante que os meios de comunicação não tenham sequer mencionado uma peça que foi posta à nossa disposição (das rádios, jornais, revistas, televisões e afins) dois dias antes da greve, que explica porque é que estes números não são, realmente, rigorosos.
Para que não existam mal entendidos, coloco-a aqui integralmente. Aí vai...

O título é: 
Greve geral: Impacto no PIB de um dia de greve "não é possível" de calcular - especialista

O texto:
O impacto de um dia de greve geral sobre o Produto Interno Bruto (PIB) "não é possível" de calcular, disse à agência Lusa o especialista Luís Bento.

"Os efeitos das greves gerais são muito diversificados, variam de um setor de atividade para outro. O efeito é completamente diferente para uma empresa que tenha laboração das 07:00 às 18:00 ou numa que tenha laboração contínua", disse Bento, investigador do Centro de Pesquisas e Estudos Sociais da Universidade Lusófona.

Luís Bento é autor de um estudo segundo o qual cada feriado tem um impacto de 37 milhões de euros sobre a economia – mas diz que “não é possível” fazer a transposição deste valor para uma greve geral, como a que foi marcada pelas confederações sindicais para a próxima quinta-feira.

O investigador acrescenta mesmo que é redutor “olhar apenas para os custos económicos” de uma greve.

Como investigador, recuso-me a fazer cálculos sobre custos. Considero que as greves gerais têm muito mais benefícios do que custos”, afirma Luís Bento, referindo-se a um “efeito normalizador das relações sociais” que estas paralisações podem ter.

Em Portugal, historicamente, a greve geral tem sido muito pouco utilizada pelos sindicatos, e têm, a meu ver, um efeito muito benéfico sobre a sociedade”, acrescenta. “São uma espécie de normalizador das relações sociais, são iniciativas que constituem gritos de alerta e podem ajudar a pacificar, a fazer com que os governo tenham mais cautela”.

Em 2007, o gabinete de estudos do banco BPI fez um cálculo simples relativamente ao impacto da greve da função pública desse ano sobre a economia (o valor a que chegou foi 80 milhões de euros, isto presumindo uma adesão de 100 por cento).

A economista-chefe do BPI, Cristina Casalinho, frisa contudo que este valor não é fruto de um estudo, mas meramente de cálculos aritméticos. E acrescenta que, numa greve geral, as contas seriam mais difíceis de fazer.

Era preciso saber a taxa de adesão à greve, e quais os setores que vão aderir”, disse Casalinho à Lusa, notando que as greves gerais paralisam sobretudo a função pública e o setor empresarial do Estado.

Também há externalidades, como as pessoas que não conseguem chegar aos postos de trabalho por causa da paragem dos transportes, pelo menos 25 ou 30 por cento do setor privado pode ser afetado, quanto mais não seja por atrasos”, acrescenta Cristina Casalinho, notando ainda a possibilidade de alguns trabalhadores fazerem 'ponte' no dia seguinte à greve.

Quanto ao cálculo aritmético simples do impacto de um dia de greve, dividindo o PIB previsto para este ano (171,9 mil milhões euros, nas previsões da Comissão Europeia) pelos 225 dias úteis de 2011 (365 dias menos 53 sábados, 52 domingos, 9 feriados e 25 dias de férias), chegaríamos a um valor de 764 milhões de euros.

Mas estas contas por alto servem quanto muito como uma referência. A economia não funciona só aos dias úteis; nem todos os trabalhadores fazem greve; a produtividade dos dias não é toda igual; e em muitos setores o trabalho 'perdido' num dia de greve pode ser compensado nos dias seguintes.

Nas empresas de laboração contínua, em fábricas que produzem objetos físicos, basta acelerar um pouco o ritmo de produção, dois ou três segundos por hora, e em dois ou três dias recupera-se da paragem da greve”, afirma Luís Bento. “Do ponto de vista produtivo, não há desvantagem, e [as empresas] nem pagam os salários da greve.”

Esta é a terceira greve geral em que a CGTP e UGT se juntam, mas apenas a segunda greve conjunta das duas centrais sindicais portuguesas já que em 1988 a CGTP decidiu avançar e a UGT, autonomamente, também marcou uma greve geral para o mesmo dia. A greve do próximo dia 24 foi marcada após o Governo ter anunciado novas medidas de austeridade, nomeadamente a suspensão dos subsídios de férias e de Natal na função pública, assim como o aumento do tempo de trabalho no setor privado.

PGR.

Fonte: Lusa

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O Escritor


Li no romance "O Fio da Navalha", de Somerset Maugham, uma "máxima" que faz todo o sentido: "O escritor fornece ao leitor meia dúzia de traços gerais e deixa-o preencher pormenores por sua conta."

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Vaidade: O Pecado Irresistível

Há algum tempo, li o livro "O Fio da Navalha", de Somerset Maugham. E houve uma passagem que me marcou. Este escritor tem o condão de retratar muito bem a natureza humana. Nós não somos fundamentalmente bons. Na realidade, temos o condão de usar tudo para fazer o mal.



Diz uma personagem para outra:

"Lembra-se de como Jesus foi conduzido até ao deserto e jejuou durante 40 dias? Quando ele estava faminto, o Diabo apareceu-lhe e disse: Se és o filho de Deus, ordena a estas pedras que se transformem em pão. Mas Jesus resistiu à tentação. O Diabo levou-o então, para o alto de um pináculo do templo e disse-lhe: Se és o filho de Deus, atira-te daí abaixo. Porque os anjos velavam por ele e não o deixariam cair. E Jesus resistiu mais uma vez. O Diabo levou-o depois para o cimo de uma montanha, mostrou-lhe os reinos do mundo e disse-lhe que lhos daria se ele se prostrasse a seus pés e o adorasse. Mas Jesus disse: Vai-te Satanás! E assim termina a história segundo o bom e ingénuo Mateus. Só que não foi assim que terminou. O Diabo era matreiro e, aparecendo de novo a Jesus, disse-lhe: Se aceitares a vergonha e a desonra, o escárnio, uma coroa de espinhos e a morte na cruz, salvarás a raça humana, pois amor maior que esse, homam nenhum conhece, um homem que sacrifica a sua vida pelos seus amigos. E Jesus caiu na esparrela. E o Diabo riu a bom rir até lhe doer a barriga, pois sabia o mal que os homens fariam em nome do seu redentor."