segunda-feira, 25 de maio de 2009

Curta de João Salaviza Ganha Prémio em Cannes


A curta-metragem “Arena” de João Salaviza, a única película portuguesa no Festival de Cannes, venceu a Palma de Ouro. "Arena" conta a história de Mauro, um rapaz que está a cumprir uma pena em prisão domiciliária e que enfrenta o dilema de transgredir a lei para acertar contas com um grupo de miúdos marginais. João Salaviza defende que "Arena" é um filme sobre violência urbana e juvenil, sobre bairros problemáticos que são verdadeiras "bombas-relógio".


A Palma de Ouro do 62º Festival de Cannes foi atribuída ao austríaco Michael Haneke para “Das Weisse Band”, no encerramento do certame, enquanto que o francês Jacques Audiard recebeu o Grande Prémio por “Un Prophète”. Com “Das Weisse Band”, Michael Haneke assina um filme a preto e branco que disseca os danos de uma educação ultra-repressiva muito em voga na Europa, no início do século XX. Jacques Audiard, cujo filme foi calorosamente recebido nas projecções do festival, declarou-se “atingido pela síndroma da impostura”.


O Prémio de Interpretação Masculina foi atribuído ao austríaco Christoph Waltz, de 52 anos, que desempenha o papel de um oficial das SS em “Inglorious Basterds”, de Quentin Tarantino, a quem agradeceu por lhe ter devolvido a fé na sua “vocação” de actor. A actriz francesa Charlotte Gainsbourg, de 37 anos, foi distinguida com o Prémio de Interpretação Feminina, pelo seu papel em “Anticristo”, do dinamarquês Lars von Trier.


O prémio do júri do 62º Festival de Cannes foi entregue ex-aequo à britânica Andrea Arnold, por “Fish Tank”, e ao coreano Park Chan-Wook, por “Thirst, ceci est mon sang”, um conto cruel e barroco sobre um padre que partiu para África e se transforma em vampiro.


O Prémio de Realização foi para o filipino Brillante Mendoza, por “Kinatay”, que denuncia os violentos assassínios cometidos por gangues, uma violência bem real segundo o realizador.


Lou Ye venceu o Prémio do Melhor Argumento, por “Nuits d’Ivresse Printanière”, que conta a história de uma paixão homossexual.

“Samson et Delilah”, do australiano Warwick Thornton, obteve a Câmara de Ouro, que distingue uma primeira longa-metragem apresentada nas selecções oficiais ou paralelas.

Morcegos de Biblioteca

De certeza que já ouviram falar de “ratos de biblioteca”. Agora, de “morcegos de biblioteca” tenho algumas dúvidas...

Pois é... Centenas de morcegos vigiam diariamente duas das mais antigas bibliotecas de Portugal, na Universidade de Coimbra e no Palácio de Mafra. É a sua habilidade para capturar insectos que assegura a preservação dos livros.

Os morcegos são o único mamífero capaz de voar e só o fazem de noite, emitindo sons de alta frequência inaudíveis ao Homem e que dificultam a observação e estudo das 26 espécies deste animal que se sabe que existem em Portugal.

Numa noite do ano passado, Jorge Palmeirim, investigador de aves e morcegos na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, apetrechou-se com equipamento para medição sonora e deslocou-se à biblioteca Joanina de Coimbra para tentar perceber que morcegos continuavam a usar os abrigos daquele espaço, onde estão instalados há mais de 200 anos.
Em todo o país, e além de Coimbra, só se conhece um outro abrigo de morcegos em bibliotecas, no Palácio de Mafra, supondo-se que a preferência da espécie por estes espaços possa estar relacionada com o revestimento antigo de madeira.

Jorge Palmeirim explica que os morcegos são também muito conservadores nos abrigos. Têm tendência para repetir por várias gerações os mesmos locais de abrigo e preferem edifícios antigos.

Em Coimbra existem documentos com cerca de 200 anos que comprovam a compra, nesse tempo, de peles semelhantes às que ainda hoje a biblioteca Joanina utiliza para, diariamente, cobrir mesas antigas de forma a protegê-las dos excrementos dos morcegos.

Por seu lado, o director da biblioteca da Universidade de Coimbra, Carlos Fiolhais diz que os morcegos habitam na biblioteca desde que há memória. As mesas da biblioteca são protegidas com peles todas as noites, porque são também antiguidades, e os morcegos circulam livremente, comendo os insectos.

Em Mafra também são os morcegos, e as boas condições climatéricas proporcionadas pelas paredes altas e a madeira do século XVIII, que explicam o óptimo estado de conservação dos livros, segundo a responsável pela biblioteca, Teresa Amaral.

Um morcego pode devorar 500 insectos por dia e, por isso, ninguém questiona que durante a noite se ausentem das bibliotecas para caçar. Estas entradas e saídas são facilitadas pelas fendas e orifícios comuns nas bibliotecas antigas.

domingo, 24 de maio de 2009

DVD - Caixa Luís Buñuel


Disponível no mercado dos DVD’s, está mais uma caixa de colecção. Desta vez, é dedicada à filmografia de Luís Buñuel.

Temos aqui quatro filmes do seu período no México, para onde foi em 1946 e onde realizou 20 fitas durante quase duas décadas.

Apesar das que constam desta caixa não serem propriamente representativas dessa época, fica o consolo de duas delas serem consideradas obras-primas deste autor: “Los Olvidados” e “Viridiana”.

Comecemos por “Los Olvidados”… O filme data de 1950 e valeu a Buñuel o prémio de Melhor Realizador na edição de 1951 de Festival de Cinema de Cannes. É um retrato cru da delinquência juvenil num subúrbio da Cidade do México.

“Los Olvidados”conta a história de El Jaibo, o rufia sem solução, e Pedro, que é mais novo e que procura a redenção e a salvação do ciclo vicioso da pobreza.

Nesta obra há uma moral cruel, tanto pela dureza e actualidade da sua história, como pela resposta dada pelo mundo adulto, que permanece sem competência para arranjar uma solução para o problema social que é a delinquência juvenil.

Este disco de “Los Olvidados” tem como extra (que é na realidade o único desta caixa – infelizmente) um final alternativo, bem mais animador, mas que acabava por estragar completamente esta obra.

“Viridiana” foi Palma de Ouro em Cannes em 1961. Este é o único filme de Luíz Buñuel realizado em Espanha, e seria banido por lá durante 16 anos por acusações de blasfémia. A subversão inteligente de alguns valores da Igreja Católica acabam por nos levar às boas acções de uma jovem freira, que depois do tio a tentar violar (um acto que o leva ao suicídio), herda uma quinta onde vai dar abrigo a alguns mendigos da zona.

Tal como já tinha feito noutros filmes, é à mesa, na hora das refeições, que Buñuel faz a maior parte das críticas sociais e de ética no seu cinema.

Quanto aos outros dois filmes, “O Monte dos Vendavais”, de 1953 (que é uma adaptação livre do romance de Emily Brontë), e “Suzana”, de 1950, apesar de existir também uma componente de carácter social, o foco principal é a paixão, a vingança e a provocação erótica.

No caso de “Suzana” (por exemplo), este é um filme de uma tensão sexual agonizante, que se torna evidente nas partes do corpo que a personagem usa para tentar os homens… em especial, através das pernas, que são usadas por Buñuel como catalizador do desejo pela mulher. É, exactamente, com estes pormenores que o realizador dá um toque subversivo às histórias e que quebra, também, algumas convenções do cinema da época.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Restelo: Azulejos de Almada no Museu da Cidade


Os azulejos de Almada Negreiros que tinham sido retirados de uma vivenda no Restelo vão ficar a partir de hoje à guarda do Museu da Cidade, até que possam ser reintegrados na moradia. Fonte do gabinete do vereador do Urbanismo Manuel Salgado disse à agência Lusa que os azulejos, que têm vindo a ser guardados através da presença da Polícia Municipal junto à moradia, são hoje levados para o Museu da Cidade.

Depois de negociações entre a Câmara e o proprietário, foi acordado que a casa vai passar a integrar os painéis de Almada Negreiros, cuja retirada esteve inicialmente prevista, chegando mesmo a serem removidos alguns azulejos.
O projecto de alteração que previa a retirada dos painéis foi indeferido na reunião do executivo municipal de quarta-feira.

Um novo projecto, que preserve os painéis vai ser, entretanto elaborado e volta depois a ser submetido à apreciação do município.

A moradia, situada na rua Alcolena, é considerada um exemplar da arquitectura do final do Modernismo.

Ataque Porno ao You Tube


O YouTube apagou centenas de vídeos pornográficos, alegadamente publicados por utilizadores, naquele que já é considerado «um ataque planeado». O Google, proprietário do site de partilha de vídeos, admitiu estar ciente do problema, acrescentando que muitos outros ficheiros ainda esperam para ser removidos.

O material foi enviado sob nomes de adolescentes célebres, como Hannah Montana ou Jonas Brothers (eh...eh...eh), sendo que muitos vídeos começavam com cenas inocentes de crianças, mas, em seguida, mostra adultos a ter relações sexuais.

Acredita-se que um dos utilizadores a fazer os uploads tenha sido Flonty, um alemão de 21 anos. O cibercriminoso declarou que se trata de uma forma de protesto, «porque o YouTube apaga os vídeos de música», alegando a protecção dos direitos de autor. O ataque teria sido planeado pelo site «4Chan», que se descreve como «a casa das coisas mais nojentas, estranhas e horrorosas da Internet».

Morreu João Bénard da Costa


João Bénard da Costa, presidente da Cinemateca, morreu ontem, em casa, vítima de cancro, aos 74 anos.

Bénard da Costa, que foi subdirector da Cinemateca Portuguesa desde 1980 e director de 1991 a 2009, foi substituído na direcção da Cinemateca Portuguesa em Janeiro último por Pedro Mexia devido a problemas de saúde.

Nascido em Lisboa em 1935, João Pedro Bénard da Costa, licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas, foi um dos fundadores da revista "O Tempo e o Modo", dirigiu o Sector de Cinema do Serviço de Belas-Artes da Fundação Calouste Gulbenkian e presidia à Comissão Organizadora das Comemorações do Dia de Portugal.

Homem desde sempre ligado ao cinema, João Bénard da Costa dedicou-se ainda à crítica e ao ensaio, tendo participado como actor em vários filmes, grande parte dos quais de Manoel de Oliveira.

Pelo trabalho à frente da Cinemateca, Bénard da Costa foi condecorado em Setembro passado pelo ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro com a medalha de mérito cultural.

sábado, 27 de setembro de 2008

Morreu Paul Neuman


Estou triste. Morreu Paul Newman. 
Este é um dos nomes maiores do cinema. Um homem que se destacou não só pelo seu talento na arte de representar, mas também na sua vida e nas suas convicções.
Talvez a meior parte das pessoas não saiba, mas Newman conseguiu inclusivamente, devido ás suas convicções políticas de que não fazia segredo, ocupar o 19º lugar na Lista Negra de Nixon. No entanto, conseguiu ser o Número 1 noutra lista: foi o vencedor mais velho na corrida de automóveis de Daytona. 
Ganhou vários prémios na televisão e no cinema ao longo da sua carreira, e o tão cobiçado Óscar só veio com o filme "A Cor do Dinheiro", de Martin Scorsese, ao lado de Tom Crusie, a que "pegou" a "doença das corridas". 
Amigos, deixou muitos. Um deles deve estar a chorá-lo por esta altura: Robert Redford. Por cumprir ficou a promessa de ambos voltarem a trabalhar juntos no cinema, depois de terem formado uma dupla de sucesso em dois filmes: "Dois Homens, Um Destino" e "A Golpada". 
Deixa também um negócio de sucesso no mundo da comida. Deixa filhos e deixa a Joanne Woodward. 
E deixa também o cinema mais pobre.
Paul Newman morreu hoje, tinha 83 anos, vítima de câncro do pulmão.